Ensino de Probabilidade e Estatística (Letramento de Dados), é o estudo da incerteza vivida e da percepção do mundo.
Em nosso estudo, não começamos com a teoria, mas com o fenômeno como ele se apresenta aos nossos sentidos. Aqui está como estruturar essa abordagem:
1. Probabilidade: O Sentir da Incerteza
Em vez de frações imediatas, a fenomenologia foca na experiência da expectativa. A criança deve "sentir" a dúvida antes de calculá-la.
O Fenômeno do "Talvez": Use situações do cotidiano (o tempo, um jogo, a cor de uma bala retirada de um saco).
O Vocabulário da Vivência: * Impossível: Algo que o corpo e a mente sabem que "não cabe" na realidade (ex: tirar uma bola azul de um saco que só tem bolas vermelhas).
Pouco Provável: Uma surpresa; algo que exige sorte.
Muito Provável: Uma expectativa quase segura, o "quase certo".
Dica Pedagógica: Peça que as crianças fechem os olhos e tentem adivinhar o que vai acontecer. A "incógnita" aqui não é um número no papel, mas o mistério do futuro imediato.
2. Coleta de Dados: O Mundo como Fonte
A fenomenologia diz que o conhecimento nasce do contato direto com as coisas.
A Atividade de Coleta: Não dê os dados prontos. Peça que eles contem algo real: cores das camisetas dos colegas, tipos de lanches, ou quantos passos dão da sala até o pátio.
O Sentido da Coleta: Eles deixam de ser receptores e viram "exploradores do real".
3. Organização e Tabelas de Dupla Entrada
A tabela de dupla entrada é a forma fenomenológica de ordenar o caos.
A Experiência: Imagine separar brinquedos por "Cor" e "Tipo".
A Tabela: Ela ajuda a criança a ver que um objeto pode ter duas identidades ao mesmo tempo (ex: um carro que é azul).
4. Gráficos: A Imagem da Realidade
Para a fenomenologia, o gráfico é uma extensão da visão. Ele permite que "vejamos" a quantidade
sem precisar contar um por um.
Gráficos de Barras/Colunas: Devem ser vistos como "prédios" de informação. Onde o prédio é mais alto, há mais vida, mais dados, mais "peso".
Gráficos Pictóricos: São os melhores para o início, pois mantêm o vínculo com a coisa real (ex: um desenho de uma maçã para representar 5 maçãs).
Exemplo de Exercício Fenomenológico: "O Mistério do Lanche"
A Coleta: Cada criança desenha seu lanche em um pequeno papel.
A Organização: Em um mural, criamos uma tabela de dupla entrada: "Fruta ou Salgado" vs "Trouxe de Casa ou Comprou na Escola".
A Interpretação: Olhando para o mural, perguntamos:
"É muito provável que alguém esteja comendo uma fruta?"
"Qual 'prédio' (coluna) é o mais alto? O que isso nos diz sobre o nosso grupo?"
A Incógnita: "Se um colega novo chegar agora, o que é mais provável que ele tenha na mochila?" (Aqui, o valor desconhecido é a previsão baseada na experiência coletiva).
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